Caso de superação: Fátima Ferraz inspira! A luta da confeiteira contra o câncer de mama é motivadora

Por: Redação CLICPOSITIVO

 

Conheça a história de superação de Maria de Fátima Ferraz, de 62 anos, do município do Cabo de Santo Agostinho. Ela foi diagnosticada com câncer de mama, em 24 de agosto de 2016, aos 60 anos, precisou passar por quatro cirurgias e testemunhou como foi viver o processo de tratamento do câncer de mama.

 

A DESCOBERTA

Era um sábado normal, onde a confeiteira Maria de Fátima Ferraz fazia suas atividades cotidianas e ao fim do expediente, um pouco cansada, sentiu palpitações na região dos seios. Segundo ela, as dores eram suportáveis e naquele momento não via necessidade de procurar um atendimento médico. Esperou pela segunda-feira e resolveu ir ao mastologista, médico responsável em doenças da mama. O atendimento só veio ocorrer no dia seguinte, onde o especialista Carlos Caiado a examinou e deu a notícia que havia um nódulo.

“Ele me disse que eu estava com um nódulo, que não era nada demais, me tranquilizou e passou um ultrassom e mamografia. Mas ai, a mamografia eu não poderia fazer de imediato porque o nódulo estava inflamado, foi ai que ele passou dois remédios, um antibiótico e um anti-inflamatório em 5 dias”.

Após os cinco dias, Fátima foi realizar os dois exames pedidos pelo médico e o resultado foi positivo. “Ele me confirmou que havia um nódulo, mas não sabia o tamanho, qual era a proporção, mas que iria me dar 15 dias sem medicações, que eu vivesse a minha vida normal”.

Nesse período, ela deveria realizar mais um ultrassom e na espera pelo resultado que só sairia após 15 dias, o imprevisto. Já havia nascido outro nódulo. Prontamente, Caiado disse: “Eu não vou querer da senhora uma pulsão, eu vou querer fazer logo uma cirurgia, tirar logo o nódulo. Ai a gente vai para a biopsia e vai ver o tipo de tratamento que a gente vai fazer, mas pode ficar tranquila que ele murchou, está de um tamanho de um carocinho de arroz”.

A REAÇÃO

“A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que eu ia vencer. Nenhum momento eu fracassei. Pode ter certeza e eu estou dizendo de coração, a gente acha que vai acontecer com os outros, mas nunca com a gente. Pode acontecer com a gente sim porque a gente é uma máquina, o ser humano é uma máquina, e essa máquina falha. Então, vamos tentar consertar. Se Deus deu inteligência para os homens consertarem, então a gente coloca Deus na frente, e as mãos dos homens em seguida e a gente não deve abaixar a cabeça. O principal também é a cabeça da gente estar bem, a família, os amigos, todo mundo junto com a gente, isso é muito importante. A minha família toda estava junto comigo, as minhas amizades, agradeço a todos, mas é muito importante à cabeça da gente e a família perto, é mais forte que a doença”. “Fiquei um pouco aperreada, mas tranquila porque eu tenho muita fé em Deus”.

OS FAMILIARES

“Eles não desabafaram muito para não me ver triste, porque de qualquer forma a gente fica, mas sentiram, às vezes eu penso que eles sentiram mais do que eu porque choraram escondido de mim, mas eu dei forças a eles e eles deram força a mim, mas está tudo bem e agora estão reagindo bem porque é assim que eu estou”, contou.

“Minha mãe deu mais força a gente, do que a gente imaginava. Ela é muito forte, ela é muito guerreira e ao invés da gente incentivar ela à força, à coragem, ela foi quem mostrou para a gente que ela ia conseguir e eu tenho certeza disso, com fé em Deus ela vai sair dessa. Pela força que ela tem e pela fé. Ela é o meu braço direito, esquerdo, é tudo e eu ficava muito mal ver ela debilitada, mas como ela mostrava força, pelo incentivo dela, foi ai que eu fui empurrando e agora que ela ainda ta fazendo tratamento, o pior já passou e vai dar tudo certo, tá tudo mais tranquilo”, destacou a filha emocionada, Alina Ferraz.

LIDANDO COM A DOENÇA

Fátima contou que passou a lidar com a doença como se fosse uma gripe normal. “Em nenhum momento eu pensei que eu ia morrer, eu pensava assim: se ela tiver que me levar, que ela me leve bem rápido, não me deixe sofrer. Só era isso que me vinha à cabeça. Minha cabeça estava tranquila”.

A 1ª CIRURGIA

Prestes a realizar a primeira cirurgia para a retirada dos dois nódulos, no dia 01 de outubro de 2016, no Hospital Osvaldo Cruz, ela nos contou o que passou pela cabeça naquele momento.

“Em nenhum momento passou nada negativo, só que eu ia sair daquela. E passava a mão de Deus, que Ele me levasse para onde Ele quisesse, não importava qual o lugar que eu ia, mas o importante é que Ele estava comigo”.

OS DESAFIOS DURANTE O TRATAMENTO

“Quando o médico perguntou se eu estava preparada para fazer a quimio e os meus cabelos caírem. Ele disse: “com 14 dias vai cair o cabelo”, eu parei, fiquei um pouco triste, mas levantei a cabeça e continuei. O maior desafio era cair o meu cabelo, mas está tudo bem”.

Segundo Fátima, todo o tratamento, incluindo a quimioterapia e medicamentos foram cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e não deixou a desejar. “Tudo que eu precisava, estava lá disponível, o hospital público muitas vezes deixa a desejar, em limpeza, em atendimento, mas pelo menos no setor que eu estava, médicos, enfermeiros, o pessoal da limpeza, tudo foi maravilhoso comigo e com os que estavam lá comigo”.

MEDICAMENTOS

Atualmente, Fátima está tomando a 16 dosagem de 18, do medicamento Herceptin que o governo arca. Este remédio serve para estacionar, matando todas as células. Há pouco tempo no mercado, aproximadamente dois anos, deve-se tomar de 21 em 21 dias, custando R$14 mil reais (cada dosagem).

No dia 09 de novembro, ela tomará a última dosagem e fará todos os exames novamente para ver a resolução do quadro clínico. Emocionada, ela não ver a hora de poder dizer que está curada do câncer.

MUDANÇA NA ROTINA

A confeiteira possuía uma rotina exaustiva dedicada aos bolos e doces. Com a chegada da doença, a filha Alina Ferraz assumiu as encomendas. Questionada sobre a possível volta a rotina diária, ela contou que sente saudades, mas que não sabe se irá voltar, não pela doença, mas pelo desgaste físico da idade.

FORÇAS

“A Deus, principalmente. A Nossa Senhora, mãe do nosso Senhor e a minha família, e a mim mesma. Eu pensei nos meus três netos, dois filhos e a minha força veio deles”, revela.

APARÊNCIA

Diferente de muitas mulheres, Fátima confessou que não se sente mal após as mudanças em seu corpo. “Isso não me incomoda, o médico pelejou para colocar a prótese e eu não quis, porque tem umas que o corpo rejeita né? e eu já tinha feito quatro cirurgias, então isso não me incomoda, às vezes eu saiu até sem sutiã, eu não ligo, para mim o importante é a minha cabeça, estando bem. Eu andava sem lenço, não tenho problema com vaidade não”. Mas revela o quão assustador a doença se torna. “O corpo não fica mais o mesmo, a mente, por mais que a gente diga que está tudo bem, tirou um órgão da gente e essa doença é assustadora e é o que está tomando conta”.

A FÉ ACIMA DE TODAS AS COISAS

Católica, cheia de fé e devoção, Fátima não frequentava a Igreja, mas rezava periodicamente. Até isso mudou, quando ela revela nunca ter questionado os planos de Deus para a sua vida. “Mesmo nos dias que eu estava um pouco frágil, eu não culpei, nem reclamei, nem quis perguntar o “por que” eu, porque com qualquer pessoa pode acontecer, por que não a mim? Ele sempre tem alguma coisa para mim, uma coisa boa”.

“Eu pensava que quando eu não estava com esse problema, eu estava devendo algo a ele, eu não era muito de igreja, eu tinha muita fé em Deus, mas eu não era muito de rezar, ai mudou. Agora eu rezo mais, é como se fosse uma sacolejada para mim, eu tenho isso aqui como se ele dissesse pra mim “eu estou aqui”, foi um aviso pra mim, “eu estou contigo””.

IMPORTÂNCIA DAS CAMPANHAS DE PREVENÇÃO

Durante a entrevista, Fátima nos revelou que nunca havia feito os exames preventivos durante as campanhas que são realizadas todos os anos, durante o mês de outubro. Hoje, ela reconhece a importância que o autoexame possui para prevenção dessa doença. “Eu não sei se eu tivesse me prevenido, como é certo fazer todo ano o exame, eu nunca fiz, mas se eu tivesse feito, tinha evitado, mas eu espero que essas campanhas sejam um incentivo para as mulheres fazerem”.

O câncer de mama, se descoberto e tratado no início, possui um bom prognóstico. Quanto mais rápida é a descoberta, mais altas são as chances de cura. Por isso, a mulher deve conhecer seu corpo e estar atenta a qualquer mudança.

O CONSELHO PARA TODAS AS MULHERES

“Eu peço que por experiência própria, que tenha força, que em nenhum momento deixe essa doença tomar conta da sua mente, não deixe tomar conta de você. Essa doença quer que a gente caia, mas a gente não pode cair. Deixe essa doença embaixo dos seus pés, esmague ela o quanto você puder porque se ela for pra sua cabeça, ai o negócio é ruim pra você, porque ela maltrata muito. Não é fácil, a gente contando é uma coisa e passando é outra. É muito dolorosa, é muito sofrimento, a gente sofre pela gente, pelas pessoas que estão lá, algumas melhores que a gente, outras que estão muito pior. Cada caso é um caso. Enfrente! E peça coragem a Deus que ele lhe dá”.

 

Com tratamento desafiador, que pode envolver cirurgias, radio e quimioterapia, o câncer de mama também é um desafio para a autoestima, já que interfere em um dos símbolos da feminilidade, pensando nisso foi criado o movimento Outubro Rosa que visa à conscientização a população, especialmente as mulheres, sobre a importância de diagnosticar de forma precoce o câncer de mama. Isso envolve fazer exames periódicos, como a mamografia, e ficar de olho de alterações nos seios, a exemplo de caroços e inchaços. Afinal, este é um dos tumores mais frequentes na população feminina, com 57 mil casos e 14 mil mortes todos os anos no Brasil. É por isso que histórias como a da confeiteira Maria de Fátima Ferraz servem de motivações para quem ainda está passando por esse momento delicado. Nós apoiamos essa causa!

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