Não Existem Anjos no Meu Céu

Enquanto ela cresce, eu me vejo nela, no sorriso, no olhar no jeito de falar, no modo de se expressar. Gosto dos detalhes da mão quando gesticula.

– Parece mesmo comigo, o meu lado feminino. É minha cria, minha carne, meu sangue.

Só que as crianças crescem. Criam formas e mudam de direção. Afinal de contas as pessoas são diferentes e aquela simplicidade de se enxergar, em um serzinho que era seu… O mundo levou.

– Ou será que eu deixei o mundo levar?

E depois de separado sem par, sem uma mulher para me acalentar, sem carinho e sem janta. Com fome estou e a solidão por um longo tempo durou em minha vida, que ficou sem sentido sem direção sem norte e nem sul, desesperado perdi meu sorriso meu céu azul. E fiquei parado ali nos dias e entre as noites escutando músicas em pleno volume e que se foda o mundo. Eu gritei, chorei lembrando-se daquela criança linda que era minha e que uma força maior me tomou afastando-a. Ela se foi sem dó, nem parecia que um dia ela seria uma extensão do meu pó. E através da música eu clamei teu nome a plenos pulmões. E que de repetições das mesmas melodias amanhecia meus dias e meu corpo transbordava em melancolias.

Eu morria, sentia o inferno bem quente perto de mim. A porra do inferno que me ardia, que me contorcia, mas eu não entendia, não compreendia… Eu nunca alcançava tanto sofrimento e a noite vinha e depois os dias e as noites frias em minha pele causavam chagas e aferida me comia. – Eu. Eu não corria eu sofria e aquilo tudo me corroía, me contorcia. Eu queria sentir oque eu sentia, eu queria morrer naqueles dias.

Então ela me apareceu de fruto ao ventre de sorriso na boca me mostrava os dentes.

– Eu!?. Eu aceitei, sorri e como um avião abrir as asas e voei em sua direção. De abraço, de cheiro de emoção jurei aos céus que nunca perderia a oportunidade de outra vez sentir minha menina perto de mim.

Os dias passaram com mais cor, calor e humor. Enxergava ninhos, escutava passarinhos raios de luz enfeitavam meu caminho. E a minha vida os céus me deu de volta, e com um piscar de olhos outra criatura nasceu, e mais uma vez sorri com vergonha da minha timidez, quando te vi ali uma criatura tão singela, pura e bela. Quanta alegria, não me cabia e eu chorava agora de alegria.

E os dias se passaram com você eu andava abraçado, como uma galinha protegendo seu pintinho. Era sua casa meus braços, meus braços era seu ninho. Você crescia e me envolvia de carinho, mas um dia decidiu voar sair do lugar. Segurei aguentei e não implorava mais atenção, tinha certeza que do meu amor você não abriria mão.

E meus dias se passaram e você chegava e me acariciava, cuidava do seu avô e eu apreciando seu amor, não cabia em mim alegria o amor tomou conta dos meus dias.

Mas aí uma forte nuvem escura veio, os malditos demônios te aliciaram, te seduziram, te excitaram e oque parecia um sonho, um pesadelo maldito se tornou.

Cordas, madeiras sem explicação, forças suspiros, gritos maldição.

Conspiração dos céus!?

Oque aconteceu?

Será que merecemos ser malditos filhos teus?

O amor me matou!

Matou o amor a minha dor!

Dor do meu peito que te perdeu!

Coração que não bate no corpo seu!

Raiva que não vai mais passar lembrando o rosto que também era meu!

Não existe amor na terra dos filhos teus?

Não existe amor no coração de um avô, que entre o céu e o inferno morreu, sou um velho que o mundo matou e que o caminho da luz perdeu.

 

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Alexandre Neres

Comunicador de rádio de poste, de rádio comunitária, hoje agitador Cultural se comunica através de Podcast e, Hora do Vinil e escreve para o projeto site cultural Quintalorando. Pai de Luisa e João. casado com Jaciara Marques.

 

*Inspirado em um cara com uma raiva do mundo sem fim, um amigo de Camocim.

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