História

Foi no engenho da Zona da Mata Sul pernambucana que o abolicionista viveu os primeiros oito anos da sua vida
2010 é o ano nacional Joaquim Nabuco. Há cem anos, morria o abolicionista pernambucano que ajudou a libertar os escravos. Entre as homenagens a Nabuco, está a restauração do Engenho Massangana, no Cabo de Santo Agostinho, onde o abolicionista viveu a infância.

O Porto de Suape que se vê do alto do engenho hoje em dia reproduz o passado. Tempo do domínio holandês, quando pequenos pontos de embarque no rio Tabatinga eram usados para escoar o açúcar produzido nos engenhos. Existiam pelo menos 150 na Mata Sul.

Um deles era o Masasngana, onde Joaquim Nabuco viveu até os oito anos de idade. No centenário de sua morte, o Engenho começa a ser recuperado. E o primeiro passo é investigar. Descobrir o que escondem o reboco das paredes da casa grande, o piso da capela.

Na sacristia, os arqueólogos encontraram o túmulo onde foi enterrada Anna Rosa Falcão de Carvalho, madrinha de Joaquim Nabuco, que foi criado por ela. Ao lado, na área externa, o cemitério dos escravos.

"Estamos descobrindo Massangana enquanto sistema produtivo, não mais como uma unidade produtiva ou como conjunto, um engenho que teve uma moita, uma capela, uma casa grande e uma senzala. Mas enquanto um sistema muito mais amplo. Nós estamos começando a perceber o porto de saída do açúcar, que caminho o açúcar trilhava para chegar a esses pequenos portos", detalha o arqueólogo da Fundaj Ulisses Pernambucano (foto 3).

O arruado, conjunto de casas já do século 20, também será recuperado. Ele faz parte do projeto que vai ocupar os dez hectares do Parque Nacional da Abolição, onde está localizado o Engenho do século 19.

"Esse parque é tombado como o Parque Nacional da Abolição. A gente vai fazer algumas prospecções no terreno e vamos identificar onde era a antiga senzala, a moenda, o cemitério dos escravos. A gente pretende criar trilhas que a gente possa desfrutar em passeios ao ar livre no Parque", conta a coordenadora do projeto, Rúbia Campêlo (foto 4).

Com a recuperação do Engenho Massangana, se recupera também um pouco dos ideais de Joaquim Nabuco. Ele conta em seu livro "Minha Foramção" que foi lá que surgiram as ideias e valores que defenderia por toda a vida. Entre eles, o direito de todos à liberdade.

"Para Nabuco, os oito anos que ele viveu em Massangana significaram todo o alicerce da sua vida política, intelectual e principalmente com um pensador do Brasil", afirma o arquiteto da Fundaj, Antônio Montenegro (foto 5).

No próximo domingo (17), faz cem anos da morte de Joaquim Nabuco. Haverá missas em homenagem ao abolicionista na Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, e na Igreja de Nazaré, no Cabo de Santo Agostinho.

 

Fonte: pe360graus.com